«(...) aquilo a que os gregos chamam alêtheia, a desocultação, o descobrimento. Aquele olhar que às vezes está pintado à proa dos barcos.»
Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 27 de abril de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Clube de Leitura adiado para dia 26

Cara/o Fã do Clube de Leitura Alêtheia,
Como vem sendo tradição, também desta vez os actores sociais escolheram a data do Clube de Leitura Aletheia para ocupar as ruas, tornando praticamente impossível a circulação de pessoas e bens.
Já nos confrontámos com manifestações de trabalhadores e cimeiras internacionais, já defrontámos a fúria dos elementos, e resistimos; desta vez, porém, em que jovens e reformados, professores e muitos outros, vão ocupar criativamente as ruas de Lisboa, os parques de estacionamento e as estações do Metro, decidimos ceder e, com a generosa colaboração do José Manuel Fernandes, ADIAR A SESSÃO DE MARÇO DO CLUBE DE LEITURA para o próximo dia 26, também sábado, também às 15.30h.
Pedimos desculpa por esta alteração de última hora, e contamos com a sua presença na 3ª sessão do ciclo REVOLUÇÕES.
Cordiais cumprimentos!
Terceira sessão do ciclo REVOLUÇÕES, com a apresentação de Sussurros, por José Manuel Fernandes.
A VIDA PRIVADA NA RÚSSIA DE ESTALINE: Relatos na primeira pessoa, cartas, diários, recortes, memórias da vida dos russos comuns durante o estalinismo.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O Livro Negro da Revolução Francesa apresentado por Miguel Morgado
Livraria Alêtheia, 15 de Janeiro, 15.30 horas
O Clube de Leitura Alêtheia é um espaço de discussão e tertúlia, coordenado por Maria José Figueiredo, que uma vez por mês se reúne na Livraria Alêtheia, na Rua do Século, em Lisboa, para trocar ideias e discutir as edições mais recentes e importantes da Alêtheia Editores. Já discutiu a obra de G.K. Chesterton, do Cardeal Schönborn ou de Antony Flew. Depois da discussão fé/razão que dominou as últimas sessões de 2010, o tema das Revoluções é o mote lançado para o primeiro trimestre de 2011: em Janeiro convidámos Miguel Morgado para falar sobre O Livro Negro da Revolução Francesa; para Fevereiro, a 12, lançámos o desafio a Henrique Raposo para uma discussão em torno da obra de Simon Sebag Montefiore Estaline, A Corte do Czar Vermelho; e em Março (também a 12) José Manuel Fernandes é o convidado da Alêtheia para apresentar a obra Sussurros de Orlando Figes.
Contamos consigo. Está aberto o debate.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Recensão a «Sussurros», de Orlando Figes, por João Tunes
14/12/10
Foi possível
O que mais valoriza “Sussurros” (*) é a sua forma particular de abordar a opressão comunista durante o período da tirania de Estaline e que eleva este livro do historiador e professor Orlando Figes à qualidade de peça única e incontornável na historiografia sobre a opressão de Estado em versão totalitária. De facto, Figes não enveredou nem pelo desfolhar dos episódios repressivos nem se deteve a entrar na polémica sobre as estatísticas das vítimas e dos carrascos. Exceptuando o tratamento detalhado e central de uma figura de primeira grandeza da vida pública soviética, o escritor Konstantin Simonov, a obra, ao longo das suas mais de setecentas páginas, ocupa-se das figuras comuns, quer dos represaliados (sobretudo estes) como dos coniventes e agentes da opressão, baseando-se em testemunhos orais ou em documentos obtidos, através de uma longa e aturada investigação desenvolvida na antiga URSS junto dos sobreviventes da época estalinista. Ou seja, Figes aborda a opressão contaminante do quotidiano dos cidadãos soviéticos sobretudo nos anos 30 e 40 do século XX e que, de uma forma absolutamente cega, ceifava a eito a sociedade no seu conjunto [escravizando e liquidando intelectuais e pequenos proprietários ou artesãos, por “crime” de pertença de classe; certas nacionalidades suspeitas de “infidelidade étnica atávica” para com a hegemonia russa em que assentava a estrutura multinacional soviética; comunistas e quadros soviéticos dos vários escalões ao sabor dos caprichos absurdos e arbitrários de quotas para cumprir metas de purgas; finalmente, os familiares (mulheres e filhos) dos reprimidos nos casos anteriores e que pagavam por “crime” de serem familiares de “inimigos do povo”]. No fundo, os alvos da repressão estalinista, conforme a uma lógica absolutamente paranóica, eram todos os cidadãos, incluindo os próprios mandantes e agentes da repressão. E, assim, cada cidadão soviético tinha como principal preocupação de sobrevivência, além de confiar no factor sorte, situar-se “correctamente” perante a repressão, sobrevivendo-lhe. E, claro, nem todos se saíam bem, no arbítrio dos acasos, das delações e das embirrações, para além das fatalidades de origens e pertenças. Milhões, muitos milhões, saíram-se mal. Uma parte fuzilada após tortura, a maioria constituindo o exército do trabalho escravo que industrializou a URSS, colectivizou a agricultura, produziu as grandes obras, cumpriu os planos quinquenais, construiu o socialismo, um socialismo de miséria, escravidão, fome, opressão. E, para além dos efeitos imediatos do sistema do GULAG, eventualmente a parte mais grave da repressão, o sistema repressivo, ao tornar aleatória a escolha dos alvos, feriu profunda e irreversivelmente a psicologia, a cultura e o estado emocional dos soviéticos. Até aos tempos actuais, passados vinte anos desde a queda do comunismo. E é nesta compreensão que o livro de Figes atinge uma intensidade e relevância única na historiografia sobre o estalinismo, ao descer do público para o privado, dos dados globais da repressão para as feridas desferidas nas pessoas, nas famílias e nos afectos. A monstruosidade da sociedade estalinista, afinal uma mero caso demonstrativo do que é o comunismo enquanto governo, em que após a fase de sedução social e política invocando os mais nobres ideais e aspirações humanas e sociais se transforma em máquina brutal de conservação de poder, em que o “terror vermelho” se inclui necessariamente no menu do trajecto de domínio, fica melhor exposta pela metodologia utilizada por Figes do que todos os tratados sobre a superestrutura da tirania estalinista. Mas, não havendo história grátis, é bom que se tenha o estômago bem preparado para encaixar os murros emocionais que “Sussurros” proporciona perante as dimensões insuspeitas e reveladas sobre onde chega, pode chegar, a perfídia humana politicamente organizada e cinicamente invocando a defesa suprema dos trabalhadores, do povo, da humanidade.Terminada a leitura de “Sussurros”, percebida e sentida a lógica brutal do GULAG, ainda com as emoções em sangue, julgo que uma questão tende a assaltar cada um dos seus leitores: o que distinguiu o aparelho carcerário, de campos e de liquidação montado na URSS, dirigido por comunistas, do melhor conhecido aparelho repressivo e de extermínio montado pelos nazis? Julgo que o livro de Figes não deixa escapatória à constatação inevitável de que enquanto a repressão nazi foi selectiva e os seus alvos foram sempre pública e previamente anunciados (os judeus, os homossexuais, os comunistas, os social-democratas, os democratas, as minorias, as etnias consideradas inferiores), a repressão comunista ameaça toda a sociedade, todos os cidadãos, incluindo (!) os comunistas. Por isso mesmo, Estaline pode considerar-se o construtor de uma sociedade única, a do totalitarismo autofágico. Fica para outra altura a discussão sobre o como e o porquê de que quando as experiências comunistas se desviam deste modelo, o do Estado-Polícia desenvolvendo-se em espiral paranóica, estas falham automaticamente e destroem ... o comunismo.
Naturalmente que está subentendido o conselho para quem ainda não escolheu o livro de oferta de natal para um amigo alérgico à mentira e à opressão.
(*) – “Sussurros”, Orlando Figes, Aletheia Editores.
http://viasfacto.blogspot.com/2010/12/foi-possivel.html






