«(...) aquilo a que os gregos chamam alêtheia, a desocultação, o descobrimento. Aquele olhar que às vezes está pintado à proa dos barcos.»
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O Livro Negro da Revolução Francesa apresentado por Miguel Morgado
Livraria Alêtheia, 15 de Janeiro, 15.30 horas
O Clube de Leitura Alêtheia é um espaço de discussão e tertúlia, coordenado por Maria José Figueiredo, que uma vez por mês se reúne na Livraria Alêtheia, na Rua do Século, em Lisboa, para trocar ideias e discutir as edições mais recentes e importantes da Alêtheia Editores. Já discutiu a obra de G.K. Chesterton, do Cardeal Schönborn ou de Antony Flew. Depois da discussão fé/razão que dominou as últimas sessões de 2010, o tema das Revoluções é o mote lançado para o primeiro trimestre de 2011: em Janeiro convidámos Miguel Morgado para falar sobre O Livro Negro da Revolução Francesa; para Fevereiro, a 12, lançámos o desafio a Henrique Raposo para uma discussão em torno da obra de Simon Sebag Montefiore Estaline, A Corte do Czar Vermelho; e em Março (também a 12) José Manuel Fernandes é o convidado da Alêtheia para apresentar a obra Sussurros de Orlando Figes.
Contamos consigo. Está aberto o debate.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Recensão a «Sussurros», de Orlando Figes, por João Tunes
14/12/10
Foi possível
O que mais valoriza “Sussurros” (*) é a sua forma particular de abordar a opressão comunista durante o período da tirania de Estaline e que eleva este livro do historiador e professor Orlando Figes à qualidade de peça única e incontornável na historiografia sobre a opressão de Estado em versão totalitária. De facto, Figes não enveredou nem pelo desfolhar dos episódios repressivos nem se deteve a entrar na polémica sobre as estatísticas das vítimas e dos carrascos. Exceptuando o tratamento detalhado e central de uma figura de primeira grandeza da vida pública soviética, o escritor Konstantin Simonov, a obra, ao longo das suas mais de setecentas páginas, ocupa-se das figuras comuns, quer dos represaliados (sobretudo estes) como dos coniventes e agentes da opressão, baseando-se em testemunhos orais ou em documentos obtidos, através de uma longa e aturada investigação desenvolvida na antiga URSS junto dos sobreviventes da época estalinista. Ou seja, Figes aborda a opressão contaminante do quotidiano dos cidadãos soviéticos sobretudo nos anos 30 e 40 do século XX e que, de uma forma absolutamente cega, ceifava a eito a sociedade no seu conjunto [escravizando e liquidando intelectuais e pequenos proprietários ou artesãos, por “crime” de pertença de classe; certas nacionalidades suspeitas de “infidelidade étnica atávica” para com a hegemonia russa em que assentava a estrutura multinacional soviética; comunistas e quadros soviéticos dos vários escalões ao sabor dos caprichos absurdos e arbitrários de quotas para cumprir metas de purgas; finalmente, os familiares (mulheres e filhos) dos reprimidos nos casos anteriores e que pagavam por “crime” de serem familiares de “inimigos do povo”]. No fundo, os alvos da repressão estalinista, conforme a uma lógica absolutamente paranóica, eram todos os cidadãos, incluindo os próprios mandantes e agentes da repressão. E, assim, cada cidadão soviético tinha como principal preocupação de sobrevivência, além de confiar no factor sorte, situar-se “correctamente” perante a repressão, sobrevivendo-lhe. E, claro, nem todos se saíam bem, no arbítrio dos acasos, das delações e das embirrações, para além das fatalidades de origens e pertenças. Milhões, muitos milhões, saíram-se mal. Uma parte fuzilada após tortura, a maioria constituindo o exército do trabalho escravo que industrializou a URSS, colectivizou a agricultura, produziu as grandes obras, cumpriu os planos quinquenais, construiu o socialismo, um socialismo de miséria, escravidão, fome, opressão. E, para além dos efeitos imediatos do sistema do GULAG, eventualmente a parte mais grave da repressão, o sistema repressivo, ao tornar aleatória a escolha dos alvos, feriu profunda e irreversivelmente a psicologia, a cultura e o estado emocional dos soviéticos. Até aos tempos actuais, passados vinte anos desde a queda do comunismo. E é nesta compreensão que o livro de Figes atinge uma intensidade e relevância única na historiografia sobre o estalinismo, ao descer do público para o privado, dos dados globais da repressão para as feridas desferidas nas pessoas, nas famílias e nos afectos. A monstruosidade da sociedade estalinista, afinal uma mero caso demonstrativo do que é o comunismo enquanto governo, em que após a fase de sedução social e política invocando os mais nobres ideais e aspirações humanas e sociais se transforma em máquina brutal de conservação de poder, em que o “terror vermelho” se inclui necessariamente no menu do trajecto de domínio, fica melhor exposta pela metodologia utilizada por Figes do que todos os tratados sobre a superestrutura da tirania estalinista. Mas, não havendo história grátis, é bom que se tenha o estômago bem preparado para encaixar os murros emocionais que “Sussurros” proporciona perante as dimensões insuspeitas e reveladas sobre onde chega, pode chegar, a perfídia humana politicamente organizada e cinicamente invocando a defesa suprema dos trabalhadores, do povo, da humanidade.Terminada a leitura de “Sussurros”, percebida e sentida a lógica brutal do GULAG, ainda com as emoções em sangue, julgo que uma questão tende a assaltar cada um dos seus leitores: o que distinguiu o aparelho carcerário, de campos e de liquidação montado na URSS, dirigido por comunistas, do melhor conhecido aparelho repressivo e de extermínio montado pelos nazis? Julgo que o livro de Figes não deixa escapatória à constatação inevitável de que enquanto a repressão nazi foi selectiva e os seus alvos foram sempre pública e previamente anunciados (os judeus, os homossexuais, os comunistas, os social-democratas, os democratas, as minorias, as etnias consideradas inferiores), a repressão comunista ameaça toda a sociedade, todos os cidadãos, incluindo (!) os comunistas. Por isso mesmo, Estaline pode considerar-se o construtor de uma sociedade única, a do totalitarismo autofágico. Fica para outra altura a discussão sobre o como e o porquê de que quando as experiências comunistas se desviam deste modelo, o do Estado-Polícia desenvolvendo-se em espiral paranóica, estas falham automaticamente e destroem ... o comunismo.
Naturalmente que está subentendido o conselho para quem ainda não escolheu o livro de oferta de natal para um amigo alérgico à mentira e à opressão.
(*) – “Sussurros”, Orlando Figes, Aletheia Editores.
http://viasfacto.blogspot.com/2010/12/foi-possivel.html
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Livro para crianças de Barack Obama publicado brevemente pela Alêtheia

Of Thee I Sing: A Letter to My Daughters, a obra para crianças do presidente Barack Obama que acaba de sair nos Estados Unidos – chegou às livrarias a 16 de Novembro, numa primeira tiragem de 500 mil exemplares –, vai ser publicada brevemente em Portugal pela Alêtheia Editores.
Numa terna carta dirigida às filhas, Barack Obama escreve 13 comovedores textos sobre 13 importantes figuras da História norte-americana. Do presidente Abraham Lincoln ao chefe índio Sitting Bull, passando por Billie Holliday ou Helen Keller, o presidente norte-americano identifica os traços destes heróis nas suas filhas e em todas as crianças dos EUA.
Magnificamente ilustrada por Loren Long, esta é uma obra empolgante que capta não só as personalidades como os feitos destes grandes americanos, partindo da inocência e da promessa da infância.
Este livro – de 40 páginas – é uma obra para ler em família. Barack Obama sublinha nestas histórias o potencial que torna cada pessoa capaz de perseguir os seus sonhos e definir o seu próprio destino.






