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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O mundo para os jovens e Portugal para os graúdos

A Alêtheia Editores lançou recentemente no mercado nacional Breve História do Mundo Contada aos Jovens Leitores, um clássico de Manfred Mai, e Portugal – Ensaios de História e de Política, de Vasco Pulido Valente. Duas obras para entender um pouco do Mundo e muito do nosso país.

Pedro Justino Alves, Diário Digital, 16 de Setembro de 2009


Manfred Mai destaca logo no prefácio que o livro não pretende explicar o Mundo, pelo contrário, o objectivo é «fornecer uma primeira visão de conjunto da história mundial». O autor, professor do ensino secundário, ressalta ainda que sentiu necessidade de escrever esta obra «porque sei que só possuindo um vasto quadro geral se pode compreender verdadeiramente a história em todas as suas facetas e nos seus detalhes. Talvez um dos problemas do ensino da história nas nossas escolas seja precisamente este: é que só se chaga a ter um quadro geral no fim do longo currículo escolar».

Por isso, em Breve História do Mundo Contada aos Jovens Leitores, temos uma abordagem bastante completa dos principais acontecimentos da história ocidental, desde «Os primeiros seres humanos» (primeiro capítulo) até «Um só mundo» (52.º). A escrita de Mai é bastante directa e esta é uma das principais qualidades deste livro, além de abordar os acontecimentos de forma simples e sem complicações, sendo por isso um óptimo complemento aos estudos.

Os textos são curtos e acabam por não cansar o leitor, pelo contrário, o mesmo acaba por passar de capítulo para capítulo sem custos, com prazer. Mesmo os acontecimentos mais dramáticos da história mundial (as cruzadas, as grandes guerras, o colonialismo….) são abordados de forma educativa (é notório verificar a formação profissional de Manfred Mai em cada página). Breve História do Mundo Contada aos Mais Jovens Leitores é portanto uma obra exemplar que tem o dom de abrir a curiosidade aos mais jovens, que, após a sua leitura, vão procurar descobrir mais em pormenor os caminhos da História mundial


Se o livro de Manfred Mai procura explicar um pouco do Mundo, a obra de Vasco Pulido Valente tem o dom de explicar em pormenor muito da história nacional. No total, 331 páginas, 10 ensaios entre as invasões francesas até aos nossos dias (liberalismo, a conspiração monárquica, os anos de Salazar, o 25 de Abril, o exílio e a queda de Marcello Caetano…), um livro que reúne «as coisas que eu acho que escrevi de relevante sobre Portugal», referiu o autor. Como é habitual na escrita de Pulido Valente, há rigor mas também alguma polémica nestes ensaios, como referir que «o dr. Cunhal é parecido como uma gota de água com o dr. Salazar: é o dr. Salazar virado do avesso».

Portugal – Ensaios de História e de Política agrega artigos que foram publicados nos mais diversos meios, como nos jornais Diário de Notícias, O Independente e Público ou na saudosa revista K. Apesar de podermos não concordar com muitas das conclusões de Pulido Valente, não podemos negar o seu discurso, sempre rico em pormenores e acima de tudo sustentáveis. Após lermos este livro temos uma ideia muito clara sobre o nosso país, compreendemos que a queda da monarquia (com a ajuda da classe aristocrática) ou o surgimento de Salazar (devido a uma república doente) acabaram por ser dois factos naturais na nossa história. Esta colectânea de artigos é um verdadeiro regalo para todos, uma obra de referência para quem pretende compreender parte da história do nosso país

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pedro Picoito, sobre o «Portugal» de Vasco Pulido Valente

[...] D. João VI, os sucessivos liberais, Costa Cabral, a galeria dos republicanos, Paiva Couceiro, Salazar, Marcello Caetano, Cunhal, ninguém escapa à pena do cronista. Talvez VPV seja injusto aqui e ali, como costuma ser quem não tem medo de adjectivar os homens, mas dá-nos uma visão profundamente original do passado que eles viveram. Por exemplo, é injusto com a Igreja e o suposto aproveitamento político das aparições de Fátima, momento-chave da resistência católica à repressão da "República velha". Mas não se pode pedir a um incréu para ver nas idas e vindas da Mãe de Deus a uma charneca da Serra de Aire em 1917 algo mais do que um genial golpe de propaganda.

Longe de vulgatas escolares e vassalagens académicas (o doutoramento em Oxford e a prateleira dourada do ICS ajudam), poucos historiadores portugueses escrevem hoje como VPV. Por isso poucos são tão lidos como ele. A história é uma das belas artes. Um romance verdadeiro, na fórmula célebre e polémica de Paul Veyne. Aqueles que procuraram dar-lhe a respeitabilidade do positivismo retiraram-lhe a dignidade muito maior de ser lida. Entre nós, VPV foi um dos primeiros a fugir de tal erro, juntamente com outros historiadores não por acaso associados à direita (whatever that means) e à influência anglófona: Rui Ramos, Fátima Bonifácio, Filomena Mónica

Talvez este livro, com a sua erudição invisível, a ausência de notas que a autoridade do especialista dispensa, a vontade de chegar ao grande público sem cair na falta de rigor, seja a melhor introdução ao nosso passado próximo. O tal país que somos, parece.


Pedro Picoito, O Cachimbo de Magritte, 7 de Setembro de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vasco Pulido Valente na revista «Ler»

[...] Não me apetece remastigar Portugal.

Não é o que tem feito permanentemente?
Faço, mas em pequenas doses. Não é aquela coisa de dizer: «Vamos lá ver o que é isto, outra vez!»

Este seu livro novo, Portugal – Ensaios de História e de Política não o é também, uma vez mais?
É, mas não foi escrito agora. É uma coisa como fez o Gore Vidal. Chegou a altura de dizer: «Olhem, isto são as coisas que eu acho que escrevi de relevante sobre Portugal.» [...]

Vasco Pulido Valente, entrevistado por Carlos Vaz Marques, revista Ler, nº 82, Julho 2009, pp. 32-43


«A Pulido Valente se deve, de facto, um trabalho que comporta uma abordagem dos dois últimos séculos da vida portuguesa disponibilizada a um arco alargado de leitores em condições de apreciarem uma perspectiva intensamente crítica desse passado recente e dos seus intérpretes, que é apresentada, sem concessões ao conhecimento e ao rigor, de um modo atraente e romanesco. O que não significa isento, por vezes, de uma dimensão abertamente polémica.»
Rui Bebiano, «Ninguém fica indiferente», revista Ler, nº 82, Julho 2009, p. 76

«Portugal», de Vasco Pulido Valente (excertos)

«Infelizmente, o liberalismo continuou também as tradições do ‘antigo regime’. Um Estado que fez mais centralizado, despótico e intrusivo; a tendência para sustentar uma classe média burocrática e ‘parasitária’.»

«A República, depois de um período confuso, banira o terrorismo e tendia para a moderação. Os conservadores, com a ajuda da Igreja, procuravam o caminho que, pouco a pouco, levaria a Salazar.»

«Que Salazar fosse um intriguista vulgar, um pequeno político e um espírito inculto e medíocre não parece ocorrer a ninguém. O dinheiro e o poder são sempre injustamente associados à inteligência.»

«O índice de colaboradores de O Tempo e o Modo lê-se hoje como a lista das glórias oficiais da democracia. Talvez não nos devêssemos excessivamente lisonjear, mas alguma coisa significa.»

«Nenhuma das forças dominantes depois de Abril queria julgar Marcello perante a Europa inteira. Lavar a roupa suja da guerra de África e da ‘descolonização’ não convinha a ninguém.»

«O dr. Cunhal é parecido como uma gota de água com o dr. Salazar: é o dr. Salazar virado do avesso.»

Vasco Pulido Valente, in Portugal: Ensaios de História e de Política

«Portugal: Ensaios de História e de Política», de Vasco Pulido Valente

A história de Portugal contada por Vasco Pulido Valente, desde as invasões francesas até aos nossos dias, numa obra que reúne textos já publicados mas também inéditos e que se lê de um fôlego.

O liberalismo português, a queda da monarquia e a ascensão da República, a Monarquia do Norte, são todos acontecimentos relatados pelo historiador através de uma escrita empolgante.
O nascimento do Estado Novo é nestas páginas amplamente descrito, assim como a ascensão de Marcello Caetano e a sua tentativa de revitalizar a Acção Nacional Popular até à sua deposição a 25 de Abril de 1974, revelando com detalhe os anos de governação marcelista até ao exílio.

O «25 de Abril», como o analisa historicamente, e os anos do PREC constituem também momentos-chave desta obra fundamental para a compreensão dos séculos XIX e XX em Portugal.

Vasco Pulido Valente é um dos mais influentes opinion makers portugueses — as suas crónicas no jornal Público são lidas atentamente por todo o país. Como comentador, assina igualmente uma crónica semanal na estação televisiva TVI, onde aborda os principais assuntos da actualidade. Investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais, Vasco Pulido Valente desenvolve aí a sua investigação sobre os séculos XIX e XX, e conta com extensa obra publicada, nomeadamente Ir Prò Maneta, Um Herói Português e A Revolução Liberal, todos livros publicados pela Alêtheia Editores.

1ª edição: Abril de 2009
ISBN: 978-989-622-162-1
Formato: 130*220 mm
Nº de páginas: 336
Preço: 16,00 €