terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Juan Manuel de Prada em Lisboa alerta para novas tiranias



Juan Manuel de Prada estará em Lisboa na próxima quarta-feira (10 de Fevereiro) para apresentar o seu livro «A Nova Tirania» que a Alêtheia acaba de publicar. Depois de participar numa sessão de apresentação da obra às 18 horas na Universidade Católica, estará a partir das 21.30 horas, na Livraria Alêtheia (R. do Século, 13), numa tertúlia literária, para troca de opiniões com os leitores. Aqui fica o convite.


Juan Manuel de Prada é, antes de mais nada, um escritor. Mas a sua denodada vocação literária não o impediu de se converter em farol e referência para muitas pessoas, que sofrem com a imposição da «nova tirania», designada nestas páginas por «progressismo Matrix»: a ditadura de uma ideologia que, sob a máscara da adoração do homem, promove um consciencioso labor de engenharia social, impondo paradigmas culturais e padrões de avaliação dos quais, seja por correcção política ou por desistência acomodatícia, muito poucas vozes se atrevem a discordar.

O leitor detectará, nos escritos que constituem A Nova Tirania, o combate de ideias em debates tão candentes como o do aborto ou o da memória histórica, o da crise económica ou o da educação, o da ideologia de género ou o da corrupção da democracia e dos direitos humanos. São reflexões de índole muito diversa, que tanto abarcam o remanso intimista como a indagação histórica, a arte como a literatura, a crónica dos grandes acontecimentos como a análise das mais diversas máculas sociais.

«A Nova Tirania», Juan Manuel de Prada, Alêtheia Editores, 2010, pvp 18 €, PP 400

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Anthony O'Hear em Lisboa para apresentar «Os Grandes Livros»



Uma bela oportunidade para ouvir falar Anthony O'Hear dos grandes clássicos da literatura mundial: será na Universidade Católica na sexta-feira (5 de Fevereiro), pelas 18 horas.

Afinal, a Odisseia, a Divina Comédia, os Lusíadas – a grande literatura pode ser lida por todos nós, com uma pequena ajuda.
Em Os Grandes Livros (Alêtheia Editores), uma viagem fascinante ao longo de 2500 anos, Anthony O’Hear mostra-nos o caminho na companhia de livros tão poderosos, emocionantes e cheios de erotismo como qualquer best-seller moderno.

Começamos por Homero, o pai da literatura ocidental. Depois, a tragédia grega, Platão, a Eneida de Virgílio e as Metamorfoses de Ovídio, fonte inesgotável de inspiração para a litera­tura e as artes plásticas europeias.

Através de Santo Agostinho passamos à Divina Comédia de Dante, um desvio ao mesmo tempo tene­broso e sublime pelo Inferno e pelo Purgatório, terminando na sua arrebatada visão do Paraíso. Chaucer, Camões, Shakespeare, Cervantes, Milton, Pascal, Racine e Goethe comple­tam a tábua das personagens desta história fabulosa. Em qualquer dos casos, O’Hear traça um esboço paciente dos seus temas, aborda passagens cruciais e explica a importância imorre­doura destas obras.

Mais do que uma grande obra de referência, esta é também uma história narrativa contada com um profundo amor pela literatura – e uma crença inabalável na sua capacidade de inspirar e enriquecer os nossos mundos.

Anthony O’Hear é professor de Filosofia da Universidade de Buckingham, director do Royal Ins­titute of Philosophy e editor da revista Philosophy.

«Nem nos apercebemos bem de que, embora os clássicos gregos e romanos estejam real­mente distantes de nós, temos armazenados, na mente e no coração, temas e atitudes que nos vêm deles. De tal maneira que uma viagem pelos clássicos é uma viagem de descoberta, é certo, mas é também uma viagem de autodescoberta.»

Anthony O’Hear, na Introdução

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Um texto sobre o Natal, no «Homem Eterno» de Chesterton

Natal Alêtheia

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Liberdade ou conformidade? O caso de D. António Barroso


Há um livro recente que tem um título curioso e que vale a pena ler. Chama-se Réu da República: o Missionário D. António Barroso, Bispo do Porto (Alêtheia, 2009). Os autores, Carlos Azevedo e Amadeu Araújo, contam a história de um homem – D. António Barroso – e da época em que ele viveu, entre 1854 e 1918. Na história desse homem e dessa época estão contidos alguns dos grandes equívocos que em Portugal – bem como na generalidade das culturas europeias continentais – foram associados ao conceito de liberdade. Foi em nome desses equívocos que se cometeram, e por vezes ainda cometem, gravíssimos atentados contra a liberdade.


PARADOXO DA LIBERDADE

A história da perseguição da Primeira República a D. António Barroso ilustra o paradoxo que consiste na perseguição à liberdade em nome da liberdade. Esse paradoxo domina a história política moderna da Europa continental desde, pelo menos, a Revolução Francesa de 1789 – essa «doença infecciosa», como lhe chamou Edmund Burke. Em Portugal, esse paradoxo esteve gritantemente patente na Primeira República, entre 1910 e 1926.

A grande questão política e filosófica que a perseguição ao bispo do Porto levanta é saber por que razão a Primeira República perseguiu a Igreja Católica em nome da liberdade. Porque a Igreja se opunha à liberdade? Ou porque os republicanos usavam a palavra «liberdade» para designar uma coisa muito diferente da liberdade propriamente dita?


DOIS CONCEITOS DE LIBERDADE

Quando Afonso Costa declarou que a República acabaria com o catolicismo em duas gerações, forneceu um sinal importante para compreender a natureza autoritária do seu entendimento do conceito de liberdade e de República. Para ele, liberdade não era o conceito clássico, a que chamamos negativo, de ausência de coerção intencional por terceiros. Para ele, liberdade queria dizer libertação de concepções que ele considerava erradas e opressoras, como a religião católica.
Afonso Costa subscrevia o conceito positivo de liberdade, tal como este foi descrito por Isaiah Berlin no seu ensaio clássico, Two Concepts of Liberty: a liberdade positiva, em contraste com a negativa, é entendida como a capacidade ou o poder de emancipação pessoal relativamente a tradições, crenças, superstições que os advogados da liberdade positiva consideram opressoras. No caso português, os advogados desta liberdade em sentido positivo sempre consideraram o catolicismo a principal fonte de opressão.


DUAS OPINIÕES PARTICULARES

É agora importante observar que não há em princípio nenhum problema político em considerar o catolicismo opressor. Num país livre, as opiniões são livres. Considerar o catolicismo opressor é uma opinião particular, tal como é uma opinião particular considerar o catolicismo libertador, ou civilizador. Não há ainda nenhum problema político em tentar convencer os outros da bondade, ou da justeza, de cada uma destas opiniões. É para isso que serve a liberdade de expressão e de associação. As pessoas devem ser livres de exprimir as suas opiniões particulares e de se associarem para o fazer.

Daí nascerá possivelmente um confronto entre opiniões diferentes. Esse confronto é aliás muito saudável para cada uma dessas opiniões particulares: vai submetê-las à concorrência de opiniões rivais, obrigando-as, como escreveu John Stuart Mill, a tentar não ser dogmas mortos, e a tentar ser verdades vivas.


VERDADEIRA LIBERDADE?

Onde começa a haver um problema é quando uma destas opiniões particulares, ou ambas, começam a reclamar para si a «verdadeira liberdade». Se a «verdadeira liberdade» consiste em subscrever a opinião de que o catolicismo é opressor, então uma pessoa só será livre quando descobrir, ou aceitar, que o catolicismo é opressor – logo, quando deixar de ser católica.

Isso quer dizer que uma pessoa que seja católica de livre vontade não está realmente a ser livre. Está alienada, como diria o marxismo, ou oprimida, ainda que de livre vontade. Vai então ser necessário – como escreveu esse fanático com talento que deu pelo nome de Jean-Jacques Rousseau – «libertá-la contra a sua própria vontade».


OU VERDADEIRA CONFORMIDADE?

Na esteira de Jean-Jacques Rousseau, Afonso Costa queria libertar os portugueses católicos contra a sua própria vontade [sua dos católicos, bem entendido, não de Afonso Costa]. Tal como Rousseau, ele confundia liberdade com conformidade com certas opiniões particulares, curiosamente, as suas próprias opiniões particulares.

Por outras palavras, seriam livres apenas aqueles que aceitassem as opiniões particulares de Afonso Costa acerca da natureza opressora do catolicismo. E ele, com evidente altruísmo, propunha-se libertar os portugueses em duas gerações – isto é, propunha-se obter em duas gerações a total uniformidade e conformidade do país com a sua opinião de que o catolicismo é opressor.


LIBERDADE É LIBERDADE

Talvez valha agora a pena recordar que esta ideia seria vista como simplesmente despótica por uma outra tradição que se reclama da liberdade, mas que a entende como simples ausência de coerção intencional de terceiros. Para essa tradição, «liberdade é liberdade, não é igualdade, nem equidade, nem justiça, nem cultura, nem felicidade humana, nem consciência tranquila» – para citar uma passagem célebre de Isaiah Berlin.

Por outras palavras, para esta tradição, liberdade é ausência de coerção intencional de terceiros. Por isso, a liberdade começa, antes de tudo o resto, na liberdade de consciência da pessoa, seja ela católica seja anticatólica, ou simplesmente agnóstica. E isso implica a liberdade das associações entre essas pessoas, designadamente a liberdade das igrejas, entre as quais se encontra a Igreja Católica.


CASAMENTO GAY

Esta confusão entre dois conceitos de liberdade volta hoje a estar presente na famigerada campanha para a instauração do chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo. Dizem-nos que a única posição compatível com a liberdade é a que defende o casamento enquanto contrato voluntário entre [por enquanto] duas pessoas, sejam elas do mesmo sexo sejam de sexos diferentes. Por isso é acrescentado que quem quer que discorde deste ponto de vista defende um ponto de vista opressor, uma vez que recusa direitos iguais à posição divergente, a que defende casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Há aqui uma curiosa dissonância cognitiva. O que temos pela frente é uma discordância entre duas opiniões particulares, igualmente legítimas no plano político. Não há uma opinião opressora e uma opinião livre. A opinião de que os casamentos devem envolver pessoas do mesmo sexo é um ponto de vista tão particular e tão criticável como a opinião de que os casamentos devem apenas abranger pessoas de sexo diferente. Isto significa que, se impusermos na lei que os casamentos devem abranger pessoas do mesmo sexo, estamos a impor uma opinião particular sobre as pessoas que defendem uma opinião particular diferente, a de que o casamento deve ser para pessoas de sexo diferente.


INGLATERRA MARÍTIMA

Por outras palavras, nenhuma das propostas em presença é neutra e o Estado não pode reclamar-se de qualquer delas em nome da neutralidade relativamente a concepções particulares do bem. Perante este dilema, uma sociedade livre tem uma solução relativamente simples, embora ela possa não satisfazer os fundamentalistas de ambos os lados: manter o casamento para pessoas de sexo diferente e criar uma instituição jurídica diferente para as uniões do mesmo sexo. Estas últimas podem também ser abertas a casais de sexo diferente que considerem a sua união equivalente às uniões entre casais do mesmo sexo.

Esta foi a solução pacificamente adoptada na «livre Inglaterra», com a criação das «civil partnerships». É a solução liberal por excelência, que corresponde ao princípio «live and let live», viver e deixar viver. Não requer um acordo, nem sequer uma votação por maioria. Deixa espaço para a convivência pacífica entre as duas opiniões, sem que uma tenha de se impor à outra.


ESPANHA CONTINENTAL

Previsivelmente, essa solução liberal não satisfez a vizinha Espanha, herdeira de séculos de despotismo continental e de sectarismo entre facções rivais. Existe, por isso, uma escolha simples: entre o exemplo da marítima Inglaterra ou da Espanha continental. Havendo dúvidas nesta escolha, o melhor caminho a seguir seria sem dúvida o referendo.


GOVERNO ILIMITADO

Ao recordarmos o bispo do Porto, D. António Barroso, e a perseguição contra ele movida pela Primeira República, devemos recordar os malefícios de todo o poder político ilimitado – seja ele em nome da liberdade, como no caso da Primeira República, seja em nome da ordem, como no caso do Estado Novo, que perseguiu outro bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. E devemos recordar os fundamentos do poder político numa sociedade livre.

Numa sociedade livre, o poder político não tem nem pode ter ideologia particular. A sua missão é proteger a liberdade dos cidadãos de usufruírem de modos de vida pacíficos em que se sintam confortáveis. Esses modos de vida não são concebidos por ninguém. Emergem gradual e espontaneamente da interacção entre pessoas, famílias e instituições. Não compete ao poder político dirigir esses modos de vida. Compete-lhe apenas regulá-los externamente, como um árbitro regula um jogo entre equipas rivais, sem se imiscuir na vida interna de cada equipa.


DE ATENAS À REPÚBLICA

Este é o ideal do governo limitado pela lei, um ideal que remonta à Grécia antiga e à civilização marítima da Atenas do século V a. C. Para este ideal, deu um poderoso contributo o cristianismo e, dentro dele, a Igreja Católica, quando não se deixou seduzir pela identificação com o poder político. D. António Barroso foi um expoente dessa independência da Igreja e, por isso, da liberdade religiosa.

No próximo ano, em que celebramos o centenário da República, devíamos celebrar a memória de D. António – que nos ensina a entender o regime republicano de forma civilizada, como um lar de todos os portugueses, e não apenas de alguns.

João Carlos Espada
Jornal i, 19 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

PORQUE NÃO: Casamento entre pessoas do mesmo sexo


Nas livrarias a 18 de Dezembro

Na semana em que o governo do Partido Socialista apresenta a sua proposta de lei relativa ao «casamento homossexual», a Alêtheia Editores faz chegar às livrarias — a partir de sexta-feira, dia 18 de Dezembro — o livro Porque Não: Casamento entre pessoas do mesmo sexo, de Pedro Vaz Patto e Gonçalo Portocarrero de Almada.

Este livro pretende demonstrar que não está em causa qualquer atentado à liberdade individual ou à igualdade entre pessoas, quando se mantém a instituição do casamento como união entre um homem e uma mulher, célula básica da sociedade com vista à constituição de família e à educação das crianças, através da adução de argumentos jurídicos — «Ao Direito não lhe interessa conhecer as tendências sexuais dos cidadãos, mas estabelecer os requisitos próprios de cada instituto e permitir o seu acesso a todos os que reúnam essas condições, quaisquer que sejam as suas religiões, as suas culturas, as suas tendências sexuais» — ou tão-somente do senso comum — «A ficção de que um par homossexual constitui um casamento é tão contraditória como pretender que formam uma ‘holding’, um ‘leasing’ ou uma fundação».

Ambos obviamente contrários ao casamento homossexual, os dois autores, um juiz e um padre, admitem ainda assim a criação de um estatuto equivalente ao casamento que seja aplicável àqueles que queiram usufruir dos direitos inerentes à sua união.


EXCERTOS

«Nesta discussão, a opção a tomar não pode depender de modas, nem seguir aquilo que alguns decretaram ser um “dogma” politicamente correcto, uma imposição do “ar do tempo”. Lutar pela manutenção da definição do casamento como união entre um homem e uma mulher também não pode significar seguir acriticamente a tradição. Há uma justificação racional para isso, que muitos compreendem por ser simples fruto do bom senso, verdades elementares que a hodierna desorientação de ideias leva a esquecer, mas que nem todos sabem exprimir com a linguagem mais adequada.»
Pedro Vaz Patto


«Não é de crer que a desejável consagração jurídica destes dois regimes – o casamento, heterossexual, e a união civil homossexual – a todos satisfaça, mas o país não pode andar a reboque de minorias sectárias. Há um imperativo de bem comum e de justiça que deve prevalecer sobre os interesses dos lóbis e as conveniências partidárias. Esta é, aliás, a solução adoptada por muitas das mais avançadas democracias europeias, nomeadamente o Reino Unido, onde coexistem legalmente o casamento (heterossexual) e a união civil homossexual, a contento não apenas dos sectores mais tradicionais da sociedade inglesa, como também das suas minorias alternativas. Talvez não seja o regime ideal, mas é o possível, a solução do consenso e do equilíbrio, a vitória do bom senso.»
Gonçalo Portocarrero de Almada


SOBRE OS AUTORES

Pedro Vaz Patto é casado e pai de quatro filhos; juiz de direito e docente do Centro de Estudos Judiciários; editorialista da revista Cidade Nova e vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz. Sobre questões ético-jurídicas em discussão na actualidade, publicou No Cruzamento do Direito e da Ética (Almedina, 2008).

O padre Gonçalo Portocarrero de Almada, licenciado em Direito pela Universidade de Madrid e doutor em Filosofia pela Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma, é actualmente capelão de várias instituições educativas em Lisboa. É autor de A Igreja e a Vida: Tópicos sobre a interrupção voluntária da gravidez (Diel, 2004) e de Os Defeitos de Maria (Lucerna, 2007).


PORQUE NÃO: CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO
Pedro Vaz Patto & Gonçalo Portocarrero de Almada

Alêtheia Editores, Dezembro de 2009
ISBN: 978-989-622-210-9
Formato: 13*22 cm
Nº de págs.: 144
Preço: 12,00€

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

«A Morte de um Papa», de Piers Paul Read


Um poderoso thriller teológico, que combina as emoções da literatura de suspense com o respeito pela verdade histórica.

Juan Uriarte, um ex-padre espanhol, parece ser o modelo da não-violência e da compaixão pelos pobres e desvalidos. Mas porque é que está a ser julgado como terrorista, ligado ao tráfico de gás Sarin? A sua ONG é suspeita de ser a fachada para radicais de toda a espécie. Kate Ramsay, uma jovem jornalista inglesa, tenta desvendar o que estará por trás de Uriarte e da sua organização, viajando com ele para África. O objectivo é ver o seu trabalho em primeira mão, mas depressa se sente atraída por aquele homem.

Entretanto, há uma conspiração internacional a crescer, que chega ao próprio Vaticano. Quando se realiza o conclave que se segue à morte de João Paulo II, aquele que deverá eleger Joseph Ratzinger como o novo papa Bento XVI, desenrola-se um plano terrorista de grandes proporções, que poderá significar o desastre para a Igreja Católica e para o mundo.

Esta poderosa história de Piers Paul Read combina personagens realistas com o drama, o amor, a traição, a fé e a redenção, numa narrativa sobre a intriga, a espionagem no seio da Igreja, e o anseio de destruir aquele que é o governo continuado mais longo da história – o Papado.


«A Morte de um Papa é um thriller teológico escrito por um autor de primeiríssimo nível – e a sabedoria que revela é tão refrescante quanto invulgar, entre as desmazeladas obras de tantos escritores contemporâneos.» — Joseph Pearce, autor de The Quest for Shakespeare


Piers Paul Read, romancista e dramaturgo inglês, estudou num colégio de monges beneditinos e em Cambridge. Entre as suas obras de não-ficção conta-se o livro Alive: The Story of the Andes Survivors, que vendeu cinco milhões de exemplares e foi adaptado ao cinema, Ablaze: The Story of Chernobyl, e The Templars, uma história das cruzadas. O seu primeiro romance foi publicado em 1966.


A MORTE DE UM PAPA
Piers Paul Read

Alêtheia Editores, Novembro de 2009
Tradução: Maria José Figueiredo
ISBN: 978-989-622-201-7
Formato: 13*22 cm
Nº de páginas: 296
Preço: 18,00€

«Réu da República: O Missionário António Barroso, Bispo do Porto»


Raras figuras da nossa história religiosa catalisam, como D. António Barroso, a densidade das características do seu tempo, permitindo no percurso da sua vida (1854-1918) reunir os grandes debates de um arco de tempo significativo. Situamo-nos, realmente, na emergência da acção missionária nos territórios coloniais portugueses, na mudança de regime de Monarquia para a República e na intensificação da vida pastoral das dioceses, prosseguindo caminho aberto desde os anos 70 do século XIX.

Há vários anos que se planeava uma biografia do notável missionário e destemido Bispo do Porto. Sai agora, a duas mãos, enriquecida com factos e leituras dessas duas dimensões de uma vida integralmente pautada pelo serviço do evangelho.

Os anteriores intentos de relatos biográficos foram recolhendo materiais, que no final desta obra se elencam, mas não havia ainda uma visão abrangente da vida do já servo de Deus D. António Barroso. A introdução do processo de beatificação e canonização em 1992 veio despertar o interesse pela sua figura, que para muitos nunca deixou de estar vivo. A acção incansável do Dr. José Ferreira Gomes impulsionou muitas iniciativas e galvanizou muitas vontades. Muito ansiou por uma obra do género da agora publicada.

Como missionário e missiólogo, António Barroso situa-se entre os mais notáveis da história portuguesa, seja nas primeiras e determinantes aventuras do Congo (1880), seja como incansável Prelado de Moçambique, seja como resistente construtor da comunhão em Meliapor (Índia). Com toda esta experiência evangelizadora de autêntico herói da Pátria, que muito amava, é escolhido para Bispo do Porto (1899). A bondade fraternal e a firmeza militante da sua condução pastoral conquistaram os portuenses. Quando se vê na necessidade de enfrentar o prepotente Afonso Costa, como ditador e perseguidor da Igreja, mostra a nobreza de carácter e a dignidade ponderada. A corajosa frontalidade não se situa na recusa do novo regime republicano, aliás acolhido como legítima autoridade. A mover a reacção plena de dignidade do Bispo do Porto estão critérios de injustiça praticada para com a Igreja. Combate pela liberdade religiosa, com a grandeza de coração norteadora das suas atitudes solícitas pelo bem das comunidades.


RÉU DA REPÚBLICA: O MISSIONÁRIO
ANTÓNIO BARROSO, BISPO DO PORTO
Amadeu Gomes de Araújo & Carlos A. Moreira Azevedo

Alêtheia Editores, Novembro de 2009
ISBN: 978-989-622-204-8
Formato: 16*24 cm (capa dura)
Nº de págs.: 348 + 48 il.
Preço: 22,00 €

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Livros de Natal na Alêtheia (Álbuns)

ALÊTHEIA - ÁLBUNS

Livros de Natal na Alêtheia (Religião)

ALÊTHEIA - RELIGIÃO

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

«Fontes Pereira de Melo», de Maria Filomena Mónica

Nas livrarias a 6 de Novembro


Em 1850, o estado das estradas portuguesas não podia ser pior. A única via decente era a que ligava a capital a Coimbra. De Lisboa, era mais fácil chegar-se a Southampton do que a Bragança. Fontes Pereira de Melo acreditava que a circulação – das coisas, dos homens, das ideias – era positiva. Foram os governos a que presidiu, ou em que teve assento, que, entre 1856 e 1886, planearam e construíram 82,5% dos 2153 quilómetros de vias férreas existentes.

O louvor à modernidade é bom para a retórica, mas os homens sentem-se melhor vivendo e produzindo como os pais e os avós. Por isso, não se admirou que contra o projecto ferroviário se tivessem levantado os almocreves, temerosos das locomotivas, os senhores rurais, que receavam pedidos de aumentos salariais, os camponeses, irritados com os forasteiros, os credores do Estado, indignados com a política financeira, os párocos, que olhavam os funcionários dos caminhos de ferro como uns hereges, e os políticos da oposição, que proclamavam que um país pobre não pode esbanjar dinheiro. A 7 de Maio de 1853, diante da augusta presença de D. Maria II e de D. Fernando, Fontes inaugurava as obras. Se conseguisse iniciar a linha entre Lisboa e o Carregado, pensou, o resto viria por acréscimo. O resto era nada mais, nada menos do que a união do país à Europa. A ele, sobretudo a ele, o devemos.

Maria Filomena Mónica


Fontes Pereira de Melo: Uma Biografia
Edição revista e aumentada

Alêtheia Editores, Novembro de 2009
ISBN: 978-989-622-186-7
Formato: 13*22 cm
Nº de páginas: 264 + 16 il.
Preço: 16,00 €

«Cartas da Península, 1808-1812», de Sir William Warre

Nas livrarias a 6 de Novembro


William Warre nasceu no Porto em 1784, e era neto de outro William Warre, que chegou a Portugal em 1706. O seu pai, trisavô do autor das notas deste livro, era James Warre, um comerciante de vinho do Porto na mais antiga companhia britânica do ramo, fundada em 1670.

Depois de ter crescido no Porto, William foi estudar para Inglaterra, regressando para trabalhar na empresa da família, a Warre & Co. No entanto, a sua carreira viria a ser breve, muito por causa da sua jovem natureza rebelde. O episódio que precipitou o seu abandono deu-se quando colou o cabelo de um sócio português à secretária, enquanto este dormia a sesta – o que obviamente não agradou nem à família nem aos seus parceiros de negócio. William saiu assim do país, o que não terá sido a seu descontento. Ansioso por seguir a carreira militar, entrou para o Exército Britânico em 1803, aos 19 anos de idade.

Cinco anos depois, em 1808, viria no entanto a regressar a Portugal, com o Corpo Expedicionário Britânico, para repelir a primeira das três invasões dos exércitos de Napoleão. Quando se alistou, mal poderia imaginar que depressa estaria envolvido numa luta desesperada para libertar o muito amado país onde nasceu, ao qual tinha fortes ligações familiares. Durante grande parte da guerra, esteve adstrito à secção portuguesa do Exército Anglo-Português, com os seus conhecimentos da língua e dos costumes locais a revelarem-se fundamentais na reorganização das forças portuguesas.

Durante aquele período turbulento, o capitão Warre participou em quase todas as grandes batalhas em Portugal e Espanha, desempenhando um papel determinante nas batalhas da Roliça, do Vimeiro ou da libertação do Porto (e também da Corunha, de Badajoz, de Salamanca). Este livro apresenta as suas cartas para a família, relatando os sucessos e os insucessos dos combates, e os interlúdios de marcha e planeamento, transmitindo-nos uma visão inigualável das campanhas do início do século XIX, e de como era o Portugal profundo da altura.


Cartas da Península, 1808-1812
Texto de Sir William Warre
Edição de Edmond Warre (1909)
Notas de William Acheson Warre (1999)

Alêtheia Editores, Novembro de 2009
Tradução: Carlos Marques
ISBN: 978-989-622-206-2
Formato: 130*220 cm
Nº de páginas: 408 + 8 il.
Preço: 18,00 €

«A democracia em Cabo Verde está intimamente ligada a este homem»

Marcelo Rebelo de Sousa falou de Carlos Veiga em Lisboa


«Recordo um Carlos Veiga humilde e sensato, inteligente, lido, atento, observador, não muito extrovertido, que me impressionou aos 17 anos; magnífico aluno, com boas notas em todas as cadeiras, muito seguro, muito credível, leal, solidário, fazia parte de grupos desportivos, tertúlias, amigo do seu amigo; estudámos juntos algumas vezes, muito organizado, realista.»

Lisboa, 4 de Novembro – O político-estrela português não poupou elogios quer ao biografado quer ao autor da obra. Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) fez uma abordagem de Carlos Veiga, O Rosto da Mudança em Cabo Verde, de Nuno Manalvo, publicado pela editora Alêtheia, para as várias personalidades da política portuguesa e alguns cabo-verdianos, presentes no Grémio Literário de Lisboa, na noite desta segunda-feira.

«Trata-se de uma biografia política e não pessoal», disse, «apesar de o autor não se esquecer do homem por detrás dela.» A biografia faz uma viagem pelos antecedentes históricos dos acontecimentos no país, para se compreender a descolonização e como ela como ocorreu em Cabo Verde.

O professor de Direito português referiu, longamente e com visível entusiasmo, os êxitos políticos conseguidos nos anos noventa pelo Movimento para a Democracia, liderado por Carlos Veiga, as reformas levadas a cabo graças à maioria conseguida nas urnas, nas primeiras eleições livres no país, em 1991, e que permitiria uma profunda revisão constitucional, desenvolvimento social e económico e a criação de estruturas políticas básicas, como o poder local democrático.

«A democracia em Cabo Verde está intimamente ligada a este homem, é obra de muitos cidadãos, mas tem um rosto», salientou MRS, atribuindo a Carlos Veiga o mérito de ter «aberto Cabo Verde ao mundo económica e diplomaticamente». Referindo-se ao livro de Nuno Manalvo: «Trata-se de um livro informado, por quem se mexe bem em matéria de ciência política»; um livro transversal, e na sua opinião escrito para poder «ser lido por especialistas e cidadãos comuns, por cabo-verdianos e também portugueses».

Com a boa disposição que o caracteriza, MRS recordou o tempo em que ambos foram colegas dos bancos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, no curso de 1966/1971. Curso esse, aliás, onde estavam colegas como Miguel Beleza, Jorge Braga de Macedo, Leonor Beleza, Conceição Nunes, personalidades da vida política portuguesa, nos anos noventa.

«Recordo um Carlos Veiga humilde e sensato, inteligente, lido, atento, observador, não muito extrovertido, que me impressionou aos 17 anos; magnífico aluno, com boas notas em todas as cadeiras, muito seguro, muito credível, leal, solidário, fazia parte de grupos desportivos, tertúlias, amigo do seu amigo; estudámos juntos algumas vezes, muito organizado, realista.»

Para o autor, Nuno Manalvo, o livro tenta retratar fielmente aquilo que foi até agora a vida política de Carlos Veiga, ideia surgida depois de uma conversa à mesa de um restaurante, em Washington.

Carlos Veiga, o biografado, confessou ter ponderado os riscos da publicação de uma biografia política, «numa sociedade com algum grau de crispação política». No entanto, o político decidiu-se pela sua publicação, como esclareceu, «tendo em conta o que de mais importante poderia advir dele, o efeito positivo que é dar à estampa uma parte importante da história recente do país – as mudanças profundas e a transição política levada a cabo pelo MpD, de um Estado de partido único para um Estado de direito democrático».

A mudança do paradigma económico num clima de estabilidade, e de festa, na opinião do estadista «merece ser mais bem conhecido, para crédito de Cabo Verde e do povo cabo-verdiano».

Liberal Online, 4 de Novembro de 2009

«Cartas da Península» reeditadas 100 anos depois


O Portugal que resistiu às invasões francesas é revisitado amanhã, com o lançamento das cartas de William Warre, uma espécie de Lawrence da Arábia luso-britânico que participou em algumas das batalhas mais surpreendentes de todas as guerras napoleónicas

Intitulado Cartas da Península - 1808/1812, o livro reúne os apontamentos que o jovem oficial britânico foi partilhando com a família e que resultam num testemunho directo de um dos períodos mais intensos da história de Portugal do século XIX.

Nascido no Porto, em 1784, no seio de uma família britânica ligada ao comércio do vinho português desde o início daquele século, Warre acabou por ter, apesar da sua pouca idade (ingressou no Exército britânico aos 19 anos), um papel vital na resistência às invasões napoleónicas, por dominar a língua portuguesa e pelo seu conhecimento das mentalidades e do território do país.

Este facto deu-lhe a possibilidade de acompanhar por dentro, na primeira linha, algumas das batalhas que fazem parte do imaginário nacional, de outras que a maioria já esqueceu e mesmo de ajudar na resistência civil.

Daí que as suas cartas, embora pessoais, estejam repletas de referências militares e históricas: «Junot dispõe no total de cerca de 14.000 homens, mas não poderá oferecer longa resistência, visto estar quase completamente cercado por nós, com 13.000 a 15.000 homens no total, pelo Norte, e por um corpo de cerca de 6000 portugueses; e da margem norte do Tejo, vindo de Badajoz, por um corpo de 10.000 homens do Exército espanhol do general Castanho, constituído, pelo que ouvi dizer, dos melhores e mais bravos indivíduos que há, tal como o próprio general e, na realidade, todos os espanhóis em armas», escreveu a 8 de Agosto de 1808.

Os dados objectivos são intervalados por manifestações de profunda carga emocional: «Ser-me-ia impossível expressar os meus sentimentos ao ver o lugar onde nasci, e onde passei os dias mais felizes da minha vida, ou o tormento de não poder comunicar», desabafa, ao largo da costa portuguesa, impedido ainda regressar a solo nacional após o treino militar no Reino Unido.

Presente na libertação do Porto

Desembarcado em Portugal, Warre esteve presente em quase todas as batalhas mais importantes ocorridas em Portugal e em Espanha durante este período tumultuoso. Lutou na Batalha da Roliça (o primeiro combate da Guerra Peninsular) e na do Vimeiro, que conduziram directamente à libertação de Lisboa, e esteve com o general Sir John Moore na sua famosa e terrível retirada na Corunha, ainda hoje lendária na história britânica.

Esta catastrófica marcha de Inverno através de montanhas cobertas de neve culminou na batalha desesperada nos cumes das colinas da Corunha e na morte prematura do general Moore. Warre escreveu numa carta para casa relatando a honra de estar na retaguarda e de ser o último oficial a embarcar a 16 de Janeiro, no momento em que os franceses tomavam a cidade.

O capitão Warre esteve presente na libertação da sua cidade natal, o Porto; no cerco e tomada de Ciudad Rodrigo; e testemunhou a brutalidade do segundo cerco e saque de Badajoz, em Abril de 1812. Embora tivesse apenas 27 anos na altura, foi o oficial principal na intimação do Forte de São Cristóvão e fez prisioneiros os generais Philippon e Weyland – os comandantes franceses de Badajoz –, que lhe entregaram as suas espadas pessoalmente.

O jovem luso-britânico esteve na épica e decisiva batalha de Salamanca, em Julho de 1812, que muitos estrategas militares consideram ser aquela em que Wellington demonstrou as suas grandes qualidades estratégicas, ainda mais do que em Waterloo.

Primeira edição há 100 anos

Este testemunho das guerras napoleónicas e da proximidade das relações entre os dois aliados históricos que eram Portugal e a Grã-Bretanha foi editado pela primeira vez em 1909, por iniciativa de um sobrinho, e mereceram uma segunda edição em 1999, pela mão de um sobrinho-bisneto.

Cem anos após a sua primeira edição, as Cartas da Península - 1808/1812 ressuscitam pela mão da Alêtheia Editores e serão apresentadas amanhã numa sessão que contará com a presença do director adjunto do jornal PÚBLICO Manuel Carvalho e de William Acheson Warre, descendente directo do autor. Simbolicamente o lançamento do livro terá lugar na Feitoria Inglesa.

PÚBLICO/LUSA, 9 de Novembro de 2009

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

IMPAC Dublin Literary Award



Sachenka, de Simon Sebag Montefiore (publicado pela Alêtheia em Agosto), é um dos 156 candidatos ao prémio IMPAC Dublin, ao lado dos portugueses José Saramago (As Intermitências da Morte/Death With Interruptions), José Eduardo Agualusa (As Mulheres do Meu Pai/My Father's Wives) e José Rodrigues dos Santos (O Codex 632/Codex 632).

O IMPAC Dublin é o maior prémio literário anglófono, no valor de 100.000 euros, e os candidatos são escolhidos por bibliotecários de todo o mundo.

Notícia do Guardian

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

«O Rosto da Mudança em Cabo Verde» foi dado à estampa na Praia

O Rosto da Mudança em Cabo Verde, um livro académico que compara toda a história do período recente da vida política em Cabo Verde, portanto, da passagem do regime do partido único, para a democracia multipartidária, tendo como personagem principal Carlos Veiga, antigo primeiro-ministro de Cabo Verde e uma das principais figuras da transição do regime de partido único para a Democracia, em Cabo Verde, e recém-eleito presidente do MpD, foi apresentado ontem na Praia.




A cerimónia de lançamento do livro contou com a presença de Carlos Veiga, tendo garantido na ocasião que esta bibliografia política é «um retrato fiel e bem conseguido», pelo autor português, Nuno Manalvo, sobre uma década recente da história de Cabo Verde, onde decorreram muitas mudanças fundamentais e que, no fundo, «continuam a marcar» o país. «Nuno Manalvo está de parabéns por aquilo que fez e, eu, de facto, reconheço-me naquilo que está no livro, reconheço que é um retrato fiel dos nossos 10 anos de experiência e aventura que tivemos em Cabo Verde», considerou Carlos Veiga.

«Sou um rosto que reflecte muitos outros rostos de uma geração inteira que acreditou que era possível a mudança, que acreditou no povo de Cabo Verde e em si próprio e que introduziu mudanças profundas no país», por isso, Carlos Veiga considera que essa obra literária poderá ser muito importante para a história de Cabo Verde.

Carlos Veiga explica que aceitou o convite de Nuno Manalvo para a construção dessa obra política por inúmeras razões, mas sobretudo, para poder passar mensagens «à juventude da importância que têm, e que as grandes mudanças que ocorreram em Cabo Verde têm sido feitas pela juventude e que Cabo Verde é um país que só vai para frente com mudanças. Temos que, em cada fase da nossa vida, enquanto nação, ir conseguindo mudar para melhor. E portanto, que a juventude actual tem também uma responsabilidade grande para fazer mudança que é necessária para o desenvolvimento. E essa juventude tem que acreditar que é possível, e que Cabo Verde tem futuro».

A apresentação do livro esteve sob a responsabilidade do sociólogo Abraão Vicente, na sala de conferências da Biblioteca Nacional, na cidade da Praia, a abarrotar-se de gente. Abraão Vicente diz que estamos perante uma obra que faz a socialização da figura de Carlos Veiga, mas não uma «mistificação» dessa figura. Existe sim, nesta biografia, o relato da História de Cabo Verde, «e a história é uma só».

O Sociólogo realça que o livro tem de ser lido com um «olhar crítico», independentemente de militância, pois, estamos perante um livro «tão essencial para militância do MpD como para o do PAICV», considera, concluindo que, esta bibliografia política «é o primeiro passo para criarmos um verdadeiro olhar crítico sobre diferentes fazes da história, porque a militância não justifica a ignorância». E nesse contexto diz esperar que surjam novos livros a contestar essa bibliografia política.

O autor do livro, Nuno Manalvo, por considerar Carlos veiga uma figura impar na história de Cabo Verde e na democracia cabo-verdiana e «alguém que teve um papel fundamental na transição para o regime democrático em Cabo Verde», resolveu materializar esta obra, resultado de um ano de conversa que culminou a redacção desta bibliografia política.

HF, Expresso das Ilhas, 24 de Outubro de 2009

Biografia política de Carlos Veiga

CIDADE DA PRAIA – O professor universitário português Nuno Manalvo, lanç[ou] sexta-feira [dia 23 de Setembro], na Cidade da Praia, um livro que constitui uma biografia política de Carlos Veiga, actual líder da oposição em Cabo Verde.

Carlos Veiga, O Rosto da Mudança em Cabo Verde, publicado pela editora portuguesa Alêtheia, [foi] apresentado na Biblioteca Nacional da capital cabo-verdiana e, nele, Nuno Manalvo considera o antigo primeiro-ministro (1991/2000) como o «pai da fundação da democracia» no arquipélago.

Segundo o autor, o livro é um «trabalho de investigação científica», isento e com a «distância recomendada perante o objecto de estudo», mas centrado apenas em torno da história política recente de Cabo Verde.

Nuno Manalvo define Carlos Veiga como «um político moderno» e com uma visão do mundo «que não é habitual em líderes africanos», considerando-o um «embaixador da democracia no continente que mais dela necessita e dela tem falta».

Com este livro, o autor disse pretender traçar a «vida política do homem que esteve na génese da democracia em Cabo Verde», que liderou na primeira década de abertura política do país, a partir de 1991, e que a «honrou» pela forma como saiu da cena política nacional.

Carlos Veiga chefiava o governo cabo-verdiano desde 1991 quando, em 2000, a um ano das presidenciais, entregou o governo a Gualberto do Rosário, para se candidatar a chefe de Estado, que viria a perder para Pedro Pires, o actual presidente que viria a derrotá-lo novamente nas eleições de 2006, abandonando, depois, a vida política activa.

Porém, em Maio último, Carlos Veiga regressou à política e, após meses de negociações internas, tornou-se o único candidato à sucessão de Jorge Santos à frente do MpD, vencendo as eleições directas para a liderança do partido a 11 deste mês.

Veiga assegurou a chefia desde a fundação da segunda maior força política do país (em 1990) até apresentar a sua primeira candidatura às presidenciais (em 2000).

Angola Press

«Carlos Veiga: Biografia Política», de Nuno Manalvo

Nas livrarias a 26 de Outubro


Começando por uma breve introdução à história de Cabo Verde, desde a descoberta aos movimentos autonomistas já no século XIX, até à luta do PAIGC e à independência, Carlos Veiga: Biografia Política traça depois o perfil do regime de partido único que vigorou durante quinze anos neste país, e relata a mudança liderada por Carlos Veiga e pelo seu Movimento para a Democracia.

Atraído para a política pelas arbitrariedades do Estado Novo, Carlos Veiga teria depois um im­portante papel na deposição pacífica do regime de pendor totalitário do PAIGC, que impôs um modelo político falhado a Cabo Verde, assente no controlo estatal da econo­mia e no cercear das liberdades do país.

Criador do MpD – que, na esteira da queda do muro de Berlim, conseguiu romper com o siste­ma de partido único em Cabo Verde –, Carlos Veiga seria o primeiro chefe de governo escolhi­do em eleições multipartidárias, exercendo o cargo de primeiro-ministro entre 1991 e 2000.

Depois do desenvolvimento que imprimiu aos destinos de Cabo Verde, e cons­ciente da necessidade de renovação em democracia, deixou o cargo para se candidatar à Presidência da República, com o que pretendia consolidar o regime constitu­cional de que foi mentor. No entanto, viria a perder as eleições presidenciais por uns escassos 17 votos – naquilo que se viria a demonstrar em tribunal ter sido um resultado fraudulento.


«Num continente que nem sempre é sinónimo de democracia, num pequeno país sempre sujeito às flutuações do sistema internacional, a mudança rumo a uma maior consagração da democracia é sempre uma tarefa árdua, faseada, prolongada, mas de sentido único. Em Cabo Verde, a mudança para a liberdade e para a democracia têm um rosto – Carlos Veiga.»
Nuno Manalvo, na Conclusão


Nuno Manalvo, docente universitário de Relações Internacionais e Ciência Política, é também autor das obras Sá Carneiro: Biografia Política, PSD: A Marca dos Líderes, e O Espaço da Lusofonia.


Carlos Veiga: Biografia Política
O Rosto da Mudança em Cabo Verde

Alêtheia Editores, Outubro de 2009
ISBN: 978-989-622-198-0
Formato: 160*240 mm
Nº de páginas: 188 + 16 il.
Preço: 12,00 €

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Lídio Lopes publica livro sobre «Protocolo Autárquico»

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, apresentou esta semana, na Figueira da Foz, o livro Protocolo Autárquico, da autoria de Lídio Lopes, considerando que se trata de «um manual indispensável para os autarcas».

Com mais de 300 páginas, o livro assume-se como um manual «indispensável» para as autarquias locais, Câmaras, Assembleias Municipais, Juntas e Assembleias de Freguesia, descrevendo em pormenor o protocolo de Estado, autárquico, militar, religioso, académico, empresarial, desportivo e Social.

«O livro é de uma utilidade a toda prova, pois precisamos de conhecer as regras de organização. Os próprios eventos, cada vez mais presentes, levados a cabo pelos municípios, penso que são também uma razão mais do que suficiente para aparecer uma publicação como esta», afirmou Fernando Ruas, que preside também à Câmara de Viseu.

Segundo o presidente da ANMP, que garantiu adoptar e recomendar a obra, com o protocolo organizado «pode-se retirar tudo aquilo que signifique perda de tempo, que é também outra das grandes vantagens que vejo na obra, e talvez retirar tudo aquilo que possa gerar conflitos».

«Ao longo destes 20 anos que tenho de autarca, já passei por situações complicadas com ausência de protocolo e, portanto, ele é fundamental. Neste momento, até se justifica muito mais, pois não há autarquia que não tenha geminações, que não receba governantes ou que não tenha visitas do Presidente da República ou outras entidades», frisou Fernando Ruas.

O livro Protocolo Autárquico, com chancela da Alêtheia Editores, dedica particular atenção às necessidades das autarquias locais, ensinando, por exemplo, «a ordem de precedências, como se procede à substituição de autarcas nos vários órgãos, e as mais diversas cerimónias organizadas pelos municípios, desde a tomada de posse às sessões solenes».

Escrito por Lídio Lopes, antigo chefe de gabinete de Santana Lopes, depois vereador na Câmara da Figueira da Foz, e presidente da Sociedade Portuguesa de Protocolo e Cerimonial, o manual pretende também, segundo o autor, ajudar as centenas de novos autarcas e chefes de gabinete que se preparam para iniciar funções nos municípios portugueses.

Notícias do Centro, 22 de Outubro de 2009

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

«Protocolo Autárquico», de Lídio Lopes

Nas livrarias a 16 de Outubro


Este manual é um instrumento de trabalho indispensável para todos os autarcas e seus colaboradores, descrevendo em pormenor e criteriosamente o Protocolo de Estado, Autárquico, Militar, Religioso, Académico, Empresarial, Desportivo e Social.

Dedicando uma atenção particular às necessidades das Autarquias Locais, revela, nomeadamente, quais as diferenças entre os vários símbolos municipais, a ordem de precedências nas autarquias, como se procede à substituição de autarcas nos vários órgãos, e as mais diversas cerimónias organizadas pelos municípios, desde a tomada de posse às sessões solenes.


Lídio Lopes está ligado às autarquias desde 1989, primeiro como deputado municipal e depois como vereador, tendo sido chefe de gabinete e de protocolo na Câmara Municipal da Figueira da Foz. Participou em inúmeros cursos de protocolo, em Portugal e no estrangeiro. Formador nesta área, dedica particular atenção ao protocolo autárquico, sendo ainda presidente da Sociedade Portuguesa de Protocolo e Cerimonial.


Prototocolo Autárquico
Um manual indispensável para as Autarquias Locais
(Câmaras e Assembleias Municipais, Juntas e Assembleias de Freguesia)

1ª edição: Outubro de 2009
ISBN: 978-989-622-203-1
Formato: 160*240 mm
Nº de páginas: 324
Preço: 16,00 €

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

«Obama», de David Mendell


«A história humana é forjada a partir de inúmeros e diversos actos de coragem e de convicção. De cada vez que um homem se ergue para defender um ideal, age de forma a melhorar o destino de outros ou luta contra a injustiça, está a enviar uma pequena onda de esperança, e, ao cruzarem-se umas com as outras a partir de milhões de centros de energia e de audácia diferentes, essas ondas formam uma corrente que pode derrubar os maiores muros de opressão e resistência.»

Robert F. Kennedy, discurso do «Dia da Afirmação», Cidade do Cabo, Junho de 1966


Obama faz pose olhando através das grades da cela onde Nelson Mandela
esteve encarcerado na ilha Robben, ao largo da Cidade do Cabo,
na África do Sul. (Associated Press/Obed Zilwa)




«Tenho consciência de que estou a transmitir-vos estas palavras de esperança numa altura em que a esperança parece ter desaparecido de muitas partes do mundo. Neste momento está a acontecer uma chacina no Darfur. Existe uma guerra no Iraque… E tenho de admitir que isso faz, por vezes, com que eu tenha dúvidas de que os homens sejam, de facto, capazes de aprender com a história, de que a nossa progressão de um estádio para outro seja feita num percurso ascendente ou se nos limitamos a seguir os ciclos de prosperidade e retracção, de guerra e paz, de ascensão e declínio… E depois pensei que se um homem negro de ascendência africana pôde regressar à terra natal dos seus antepassados como senador dos Estados Unidos e pôde falar para uma multidão de sul-africanos, negros e brancos, que partilham a mesma liberdade e os mesmos direitos… pensei então: as coisas mudam mesmo e a história avança realmente.»

Barack Obama, discurso «Uma humanidade comum através da segurança comum», Cidade do Cabo, Agosto de 2006


Obama – Do Desejo ao Poder
Autor: David Mendell
Título original: Obama, from Promise to Power
Tradução: Lívia Franco, Carla Ferraz, João Tordo, Cristina Queiroz
1ª edição: Fevereiro de 2008
ISBN: 978-989-622-133-1
Formato: 160*240 mm
Nº de páginas: 364 + 16 il.
Preço: 15,00 €